sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão.Tortomil


Tortomil 

  Bem perto de Vilarão, fica uma pequena aldeia, Tortomil com o seu pelourinho.
  
  Segundo testemunhos dos mais antigos, aí  era deixado preso o condenado  por  crime cometido, entregue à sua sorte naquele desterro. Valia-lhe a sorte de alguém que passasse e o libertasse, salvando-o de morrer à fome ou das garras dos lobos.

  " De acordo com a Infopédia, o topónimo "Tortomil" é de origem latina e significa "a quinta de Tructemiro", o que pode querer dizer que as origens de Tortomil situam-se numa quinta agrícola que existia naquela zona, e que seria pertença de algum proprietário romano chamado "Tructemiro". Contudo, há quem sustente que o topónimo "Tortomil" seja claramente de origem germânica."*



   De Tortomil o Dr. Armando recebia os seus doentes e também os ia visitar.
  Tortomil é uma das aldeias associadas da freguesia de Bouçõaes: 
   Ermidas, Lampaça, Lodões,  Picões, Real Covo, Tortomil e Vilartão.

  Não muito longe, o velho castelo de Monforte de Rio Livre continua a dominar estas velhas aldeias com a suas histórias entrelaçadas com a fundação da nacionalidade.
  Imponente o velho castelo, teima com a sua presença, destacando- se com a sua torre, bem visível, ao longe na paisagem.
  
  
   Fotos de Tortomil









 *Retirado de: http://www.boucoaes.com

domingo, 18 de setembro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão. São Pedro Velho e Vilar D`Ouro.

   São Pedro Velho e Vilar D`Ouro.

   As visitas médicas do Dr. Armando chegavam bem longe de Vilartão.
   Do outro lado do rio Rabaçal, depois de Rebordelo, já no concelho de Mirandela, na pequena aldeia de Vilar D`Ouro e São Pedro Velho também por aí o Dr. Armando tinha os seus doentes.
  São Pedro Velho ainda hoje conserva um fabrico de pão muito bom e  quem por lá passar, não deve deixar de provar o pão da padaria do Sr.Guerra.
  
  Imagens de Vilar D´Ouro.


Solar dos Cunhas




    Imagens de São Pedro Velho.


Casa das Varandas











Varanda do Solar do Romano

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O renascer. Visitas ao Solar de Vilartão: Luís Montalvão.

   
     Visitas ilustres.

    No passado, pelo Solar de Vilartão passaram pessoas ilustres,  o que irá  ser objecto de divulgação, pelo lado curioso e também atendendo a algum interesse para a história local. 
    Para a sua consecução servirá o arquivo da casa e  os abundantes testemunhos orais ainda existentes.  
   Nos tempos mais recentes, depois das obras de reconstrução, o solar voltou a ser palco. 
   De todas as visitas não posso deixar de registar a visita de um verdadeiro transmontano, representativo da verdadeira fidalguia portuguesa, Luís Montalvão.
  Com um ramo familiar comum, os Morais Sarmentos, Luís Montalvão é ainda parente dos Morais Soares.
   Foi com grande gratidão que eu e a minha esposa  recebemos o Luís Montalvão, bem  como seus dois filhos, Carminho e Henrique, nas últimas férias de verão.


   Uma foto para a posteridade.





sábado, 3 de setembro de 2011

O renascer. Evocar a figura de "Miguel de Fiães".

   
De Miguel  Francisco Fernandes Machado, conhecido por "Miguel de Fiães" natural de Fiães, avô materno do Dr. Armando Morais Soares, transcreve-se: 
"Sendo uma figura política local numa época em que, como observa Soares da Silva, imperava uma «conspícua degeneração do comportamento da maioria da classe política» fatalmente decorrente do «rotativismo político» inaugurado por João Franco, Miguel Francisco Fernandes Machado, enquanto Administrador do Concelho de Valpaços, soube reagir em defesa dos direitos municipais e do seu or gulho de valpacense quando António Teixeira de Sousa, seu correligionário do Partido Regenerador, entretanto proposto a eleição pelo círculo de Alijó, distrito de Vila Real, tomou as oportunas providências para que as freguesias de Jou, Curros e Vales fossem subtraídas ao concelho de Valpaços e integradas na comarca de Murça.


Apesar das diligências tomadas por “Miguel de Fiães”, telegrafando ao Ministro da Justiça para lhe dar conta da sua indignação perante tal acto e solicitar que não fosse dado provimento à decisão e chegando a deslocar-se a Lisboa para interceder pessoalmente do mesmo assunto junto do Ministro, a verdade é que as três freguesias mencionadas passaram ao concelho de Murça. Este verdadeiro golpe de teatro gizado e concretizado por António Teixeira de Sousa, cuja influência nas mais altas instâncias do poder era incomparavelmente superior ao de Miguel de Fiães, deu origem ao diferendo que ficou conhecido por Guet-Apens de Valpaços e cujo desenvolvimento e desfecho constituem tema central da obra recentemente publicada e já mencionada da autoria de José António Soares da Silva, onde este autor considera a acção de Miguel Machado, ao decidir excluir o nome de Teixeira de Sousa da lista eleitoral, a seguir à perda das três freguesias, e substituí-lo pelo nome do Dr. António Lobato, irmão do Governador Civil de Vila Real, como um acto de coragem cujo desfecho foi a automática demissão do cargo de Administrador do Concelho de Valpaços, ainda que mais tarde, já em plena República, o mesmo “Miguel de Fiães” viesse a retomar o exercício do cargo por várias vezes até ao fim dos seus dias.

Passou Miguel Machado o resto da sua vida a publicar, a expensas próprias, uma compilação de artigos editados durante o diferendo e um curioso opúsculo onde procura justificar-se perante os seus actos e decisões e reafirmar a sua sanidade moral.

Se tivermos em conta a observação de José António Soares da Silva, na obra já várias vezes mencionada, de que “se é verdade que nos jogo das réplicas e tréplicas, se extravasa, por vezes, o jogo da vida política, também é verdade e aceite por todos que a credibilidade dos políticos se constrói na sua estatura moral e exemplaridade das suas vidas privadas”, Miguel Machado não carece de qualquer acção de redenção moral, pois ninguém duvidará, decerto, que o seu protagonismo na célebre contenda do Guet-Apens de Valpaços foi determinado pela sua dedicação ao concelho, pelo seu orgulho em ser valpacense e pelo desgosto perante o que os seus companheiros de partido aprontaram contra ele e a terra que lhe cabia administrar.

Não restam hoje dúvidas de que foi um Homem cuja nobreza de carácter o obrigou a colocar as causas sociais acima dos interesses do próprio partido que representava, que lutou pela integridade administrativa do concelho de Valpaços e, por tais causas, sobrevieram-lhe alguns dissabores que conseguiu suportar estóica e orgulhosamente. Um ilustre valpacense que cumpre resgatar para a História e um digno candidato à nossa Galeria de Notáveis.


 Resumo biográfico  

Transcrição

Natural de Fiães, onde nasceu em 1845*, Miguel Machado, vulgarmente conhecido por Miguel de Fiães, foi figura prestigiada do concelho de Valpaços, sucedendo-se ao dr. Filipe José Vieira, de Vassal, na chefia do Partido Regenerador de Valpaços.
Lavrador, Contador, Administrador do Concelho e Administrador da Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás, dele diz o Padre João Vaz de Amorim, nos seus apontamentos históricos:

 «…homem inteligente e dedicado a causas sociais, muito considerado pelos seus conterrâneos e sobretudo pelo clero que, em Valpaços, foi sempre um seu aliado eleitoral».

Desse tempo ficou um dito de espírito relativo à sua pessoa que pode ter ressonâncias oposicionistas: Miguel de Fiães era lavrador e não lavrava, contador e não contava, administrador e não administrava. No entanto, a ilustrar a sua nobreza de espírito, está o facto, por exemplo, de Miguel Machado ter feito o donativo mais elevado à Instituição do Socorro, associação de beneficência laica, constituída em 11 de Fevereiro de 1895, por iniciativa de Joaquim de Castro Lopo, figura de proa do Partido Progressista, partido da oposição, e que lhe valeu fortes críticas por parte de companheiros de partido, tendo sido acusado de colagem aos Progressistas.

Não obstante a sua demissão após o caso que aqui se expõe [o Guet-Apens de Valpaços], volta a ser administrador do concelho de Valpaços mais algumas vezes, a última das quais em 1915, já na República, embora por pouco tempo, uma vez que morre a 30 de Junho de 1916."

*No Livro de Recenseamento Eleitoral para o ano de 1900/1901, tinha Miguel Machado 55 anos de idade

José António Soares da Silva, Traição de Valpaços ou Traição a Valpaços?, CMV, 1ª Ed., Março 2010, p. 25.





  Na foto os pais do Dr.Armando, a mãe Maria da Glória, filha de Miguel Machado.