segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão. Ferreiros.

Ferreiros.Valpaços.


   Bem perto de Lebução, Ferreiros, uma aldeia pequena mas  onde tem nascido Homens importantes.
   O atual Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Eng.º Francisco Baptista Tavares, é natural de Ferreiros e foi no passado um grande amigo do saudoso Dr. Armando Morais Soares, também em tempos presidente da mesma Câmara Municipal.
  
  Algumas fotos de Ferreiros.




quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão. Rebordelo

    Rebordelo

   Perto de Vilartão, do outro lado do Rabaçal fica a airosa povoação de Rebordelo, onde foram frequentes as visitas médicas do Dr. Armando. 
   Pertencente ao concelho de Vinhais, Rebordelo terra que foi de cristãos-novos, compreende  os lugares de  
 Rebordelo e Vale de Armeiro.


  


   "De acordo com o saboroso ritonelo, tão do agrado das gentes desta freguesia, ``em Rebordelo há só fartura''. E na realidade as suas características muito próprias, de afinidades com as da terra quente transmontana, permitem-lhe produzir um pouco de tudo: azeite, vinho, castanha, amêndoa, noz figo, diversos produtos hortícolas e cereais. De grande significado é também a criação de gado ovino.

Na área da freguesia há duas minas de estanho, denominadas ``Alto do Sarilho'' e ``Trigueiriça n. o 1''. Julga-se que a sua exploração remonte a tempos muito antigos. Embora desactivadas há algum tempo, as suas potencialidades continuam-se a manter; o problema é que hoje não se verifica qualquer interesse na extracção e aproveitamento daquele minério. Rebordelo foi um centro muito importante da indústria da seda, que continuou em laboração contínua, mesmo depois do aparecimento da moléstia do sirgo, que quase aniquilou aquela indústria na região de Bragança.
Rebordelo é uma freguesia servida por bons acessos viários desde Mirandela, Valpaços, Chaves e Vinhais. A povoação principal é de granito. Junto à estrada, construções novas contrastam com o velho burgo, confirmando os ventos de mudança que nos últimos anos se têm feito sentir por aqui. Tem bairros com identidade muito própria: Igreja, Lombo, Carril, Fontainha, Eiró e outros de menor importância. A gente desta freguesia é o repositório de uma cultura popular que teima em sobreviver: lendas, rezas, tradições, medicina popular.
Rebordelo é uma população muito antiga que já é citada nas Inquirições de 1258. Nessa época já se tinha dado a instituição da ``parrochia de Sancti Laurenti'' que tinha algumas paróquias sufragâneas: ``ecclesia de Nuzedo de Sub-Castelo et eclesia de Val de Paaços quae sunt sufraganeae de eclesia de Sancti Laurenti''. Mais tarde, a igreja de S. Lourenço foi uma abadia da apresentação do padroado real. Pelos finais dos padroados, extintos no século XIX, o abade de Rebordelo tinha um rendimento de 300 mil réis. Rebordelo é terra de judeus, dizem os vizinhos. No bairro do Carril há uma casa que, à entrada, tem uma estrela de David gravada no granito.
Mas a instalação das primeiras comunidades humanas em terras de Rebordelo remonta a tempos pré-históricos, como indicia a sua arqueologia. Na Fraga dos Mouros, gruta natural no meio de brenhas graníticas, há uma antecâmera onde se notam ranhuras, indiciando a existência, em tempos, de uma porta. No interior existe uma espécie de mesa. Atendendo à morfologia do sítio, tudo indica uma ocupação desta gruta desde remotos tempos."
  Retirado de 
  http://www.rebordelo.net/corografia/

















Ao longe avista-se Vilartão
Ao longe Vilartão e a imponente Esculca

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O renascer. Vilartão no Dicionário de Pinho Leal.

   
  Pinho Leal e Vilartão 


    Encontrei Vilartão no dicionário "Portugal Antigo e Moderno" de Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho Leal.


   Numa 1ª edição de 1873 publica-se:




  Sobre a Freguesia de Bouçoães.

 
            Sobre a aldeia de Vilartão.




            
            Sobre Pinho Leal.
   
   O que é certo é que nasceu em 1816 e o seu nome fica para a posteridade sobretudo como um perseverante investigador (eu diria um detective) e estudioso da realidade do Portugal de oitocentos, da sua história, a grande mas por vezes também a “pequena”, as lendas, os mitos, os usos e costumes das populações, as instituições, os monumentos, a onomástica e a toponímia e muitas outras realidades, compiladas em 18 volumes sob o título, extenso e poético, “Portugal antigo e moderno, diccionário geográphico, estatístico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguesias de Portugal e grande número de aldeias”, publicados a partir de 1873. Miguelista convicto e aventureiro impenitente...
   Retirado de:
http://valedejaneiro.blogspot.com/2009/10/uma-pequena-nota-biografica-sobre-pinho.html

   Em 1873 retirou-se para Lisboa, a fim de acompanhar de perto a publicação da sua obra a que deu o nome de Portugal Antigo e Moderno, o que só foi possível graças à influência de Camilo Castelo Branco e à boa vontade do seu editor e amigo Mattos Moreira. Aquando da publicação do X Volume, caiu gravemente doente e retirou-se para o Porto. Veio a falecer já viúvo, no nº 393 da Rua de Serralves, Lordelo do Ouro, a 2 de Janeiro de 1884.
  Teve um funeral pomposo, apesar de ter morrido quase pobre, como a maioria dos grandes escritores portugueses. Ia engalanado com banda e a medalha da antiga Sociedade dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, e vestido com a farda de alferes do extinto Batalhão de Caçadores 3, da Beira Baixa, em que havia militado. Depois de conduzido em carro fúnebre, tirado por duas parelhas, até à igreja matriz de Lordelo do Ouro, que estava literalmente coberta de crepes, teve aí pomposas exéquias e, em seguida, foi levado para o respectivo cemitério paroquial, onde foi provisoriamente depositado, na sepultura da família do seu senhorio e amigo Manuel Ferreira de Carvalho. O seu cadáver foi acompanhado desde casa até à igreja e desta ao cemitério pela banda marcial de Caçadores 9.

   Como se pode verificar Pinho Leal, um Miguelista convicto, ignora o Morgadio de Vilartão.
   Recorde-se que o último, o septimo Morgado de Vilartão, João Baptista Frias de Morais Soares que faleceu em maio de 1874, era um liberal.



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão.Tortomil


Tortomil 

  Bem perto de Vilarão, fica uma pequena aldeia, Tortomil com o seu pelourinho.
  
  Segundo testemunhos dos mais antigos, aí  era deixado preso o condenado  por  crime cometido, entregue à sua sorte naquele desterro. Valia-lhe a sorte de alguém que passasse e o libertasse, salvando-o de morrer à fome ou das garras dos lobos.

  " De acordo com a Infopédia, o topónimo "Tortomil" é de origem latina e significa "a quinta de Tructemiro", o que pode querer dizer que as origens de Tortomil situam-se numa quinta agrícola que existia naquela zona, e que seria pertença de algum proprietário romano chamado "Tructemiro". Contudo, há quem sustente que o topónimo "Tortomil" seja claramente de origem germânica."*



   De Tortomil o Dr. Armando recebia os seus doentes e também os ia visitar.
  Tortomil é uma das aldeias associadas da freguesia de Bouçõaes: 
   Ermidas, Lampaça, Lodões,  Picões, Real Covo, Tortomil e Vilartão.

  Não muito longe, o velho castelo de Monforte de Rio Livre continua a dominar estas velhas aldeias com a suas histórias entrelaçadas com a fundação da nacionalidade.
  Imponente o velho castelo, teima com a sua presença, destacando- se com a sua torre, bem visível, ao longe na paisagem.
  
  
   Fotos de Tortomil









 *Retirado de: http://www.boucoaes.com

domingo, 18 de setembro de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando, de Vilartão. São Pedro Velho e Vilar D`Ouro.

   São Pedro Velho e Vilar D`Ouro.

   As visitas médicas do Dr. Armando chegavam bem longe de Vilartão.
   Do outro lado do rio Rabaçal, depois de Rebordelo, já no concelho de Mirandela, na pequena aldeia de Vilar D`Ouro e São Pedro Velho também por aí o Dr. Armando tinha os seus doentes.
  São Pedro Velho ainda hoje conserva um fabrico de pão muito bom e  quem por lá passar, não deve deixar de provar o pão da padaria do Sr.Guerra.
  
  Imagens de Vilar D´Ouro.


Solar dos Cunhas




    Imagens de São Pedro Velho.


Casa das Varandas











Varanda do Solar do Romano

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O renascer. Visitas ao Solar de Vilartão: Luís Montalvão.

   
     Visitas ilustres.

    No passado, pelo Solar de Vilartão passaram pessoas ilustres,  o que irá  ser objecto de divulgação, pelo lado curioso e também atendendo a algum interesse para a história local. 
    Para a sua consecução servirá o arquivo da casa e  os abundantes testemunhos orais ainda existentes.  
   Nos tempos mais recentes, depois das obras de reconstrução, o solar voltou a ser palco. 
   De todas as visitas não posso deixar de registar a visita de um verdadeiro transmontano, representativo da verdadeira fidalguia portuguesa, Luís Montalvão.
  Com um ramo familiar comum, os Morais Sarmentos, Luís Montalvão é ainda parente dos Morais Soares.
   Foi com grande gratidão que eu e a minha esposa  recebemos o Luís Montalvão, bem  como seus dois filhos, Carminho e Henrique, nas últimas férias de verão.


   Uma foto para a posteridade.





sábado, 3 de setembro de 2011

O renascer. Evocar a figura de "Miguel de Fiães".

   
De Miguel  Francisco Fernandes Machado, conhecido por "Miguel de Fiães" natural de Fiães, avô materno do Dr. Armando Morais Soares, transcreve-se: 
"Sendo uma figura política local numa época em que, como observa Soares da Silva, imperava uma «conspícua degeneração do comportamento da maioria da classe política» fatalmente decorrente do «rotativismo político» inaugurado por João Franco, Miguel Francisco Fernandes Machado, enquanto Administrador do Concelho de Valpaços, soube reagir em defesa dos direitos municipais e do seu or gulho de valpacense quando António Teixeira de Sousa, seu correligionário do Partido Regenerador, entretanto proposto a eleição pelo círculo de Alijó, distrito de Vila Real, tomou as oportunas providências para que as freguesias de Jou, Curros e Vales fossem subtraídas ao concelho de Valpaços e integradas na comarca de Murça.


Apesar das diligências tomadas por “Miguel de Fiães”, telegrafando ao Ministro da Justiça para lhe dar conta da sua indignação perante tal acto e solicitar que não fosse dado provimento à decisão e chegando a deslocar-se a Lisboa para interceder pessoalmente do mesmo assunto junto do Ministro, a verdade é que as três freguesias mencionadas passaram ao concelho de Murça. Este verdadeiro golpe de teatro gizado e concretizado por António Teixeira de Sousa, cuja influência nas mais altas instâncias do poder era incomparavelmente superior ao de Miguel de Fiães, deu origem ao diferendo que ficou conhecido por Guet-Apens de Valpaços e cujo desenvolvimento e desfecho constituem tema central da obra recentemente publicada e já mencionada da autoria de José António Soares da Silva, onde este autor considera a acção de Miguel Machado, ao decidir excluir o nome de Teixeira de Sousa da lista eleitoral, a seguir à perda das três freguesias, e substituí-lo pelo nome do Dr. António Lobato, irmão do Governador Civil de Vila Real, como um acto de coragem cujo desfecho foi a automática demissão do cargo de Administrador do Concelho de Valpaços, ainda que mais tarde, já em plena República, o mesmo “Miguel de Fiães” viesse a retomar o exercício do cargo por várias vezes até ao fim dos seus dias.

Passou Miguel Machado o resto da sua vida a publicar, a expensas próprias, uma compilação de artigos editados durante o diferendo e um curioso opúsculo onde procura justificar-se perante os seus actos e decisões e reafirmar a sua sanidade moral.

Se tivermos em conta a observação de José António Soares da Silva, na obra já várias vezes mencionada, de que “se é verdade que nos jogo das réplicas e tréplicas, se extravasa, por vezes, o jogo da vida política, também é verdade e aceite por todos que a credibilidade dos políticos se constrói na sua estatura moral e exemplaridade das suas vidas privadas”, Miguel Machado não carece de qualquer acção de redenção moral, pois ninguém duvidará, decerto, que o seu protagonismo na célebre contenda do Guet-Apens de Valpaços foi determinado pela sua dedicação ao concelho, pelo seu orgulho em ser valpacense e pelo desgosto perante o que os seus companheiros de partido aprontaram contra ele e a terra que lhe cabia administrar.

Não restam hoje dúvidas de que foi um Homem cuja nobreza de carácter o obrigou a colocar as causas sociais acima dos interesses do próprio partido que representava, que lutou pela integridade administrativa do concelho de Valpaços e, por tais causas, sobrevieram-lhe alguns dissabores que conseguiu suportar estóica e orgulhosamente. Um ilustre valpacense que cumpre resgatar para a História e um digno candidato à nossa Galeria de Notáveis.


 Resumo biográfico  

Transcrição

Natural de Fiães, onde nasceu em 1845*, Miguel Machado, vulgarmente conhecido por Miguel de Fiães, foi figura prestigiada do concelho de Valpaços, sucedendo-se ao dr. Filipe José Vieira, de Vassal, na chefia do Partido Regenerador de Valpaços.
Lavrador, Contador, Administrador do Concelho e Administrador da Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás, dele diz o Padre João Vaz de Amorim, nos seus apontamentos históricos:

 «…homem inteligente e dedicado a causas sociais, muito considerado pelos seus conterrâneos e sobretudo pelo clero que, em Valpaços, foi sempre um seu aliado eleitoral».

Desse tempo ficou um dito de espírito relativo à sua pessoa que pode ter ressonâncias oposicionistas: Miguel de Fiães era lavrador e não lavrava, contador e não contava, administrador e não administrava. No entanto, a ilustrar a sua nobreza de espírito, está o facto, por exemplo, de Miguel Machado ter feito o donativo mais elevado à Instituição do Socorro, associação de beneficência laica, constituída em 11 de Fevereiro de 1895, por iniciativa de Joaquim de Castro Lopo, figura de proa do Partido Progressista, partido da oposição, e que lhe valeu fortes críticas por parte de companheiros de partido, tendo sido acusado de colagem aos Progressistas.

Não obstante a sua demissão após o caso que aqui se expõe [o Guet-Apens de Valpaços], volta a ser administrador do concelho de Valpaços mais algumas vezes, a última das quais em 1915, já na República, embora por pouco tempo, uma vez que morre a 30 de Junho de 1916."

*No Livro de Recenseamento Eleitoral para o ano de 1900/1901, tinha Miguel Machado 55 anos de idade

José António Soares da Silva, Traição de Valpaços ou Traição a Valpaços?, CMV, 1ª Ed., Março 2010, p. 25.





  Na foto os pais do Dr.Armando, a mãe Maria da Glória, filha de Miguel Machado.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O renascer. As consultas do Dr. Armando Morais Soares. Vilartão.

  Vilartão.

 O Dr. Armando nasceu em Vilartão, em 1902. Licenciou-se em medicina em Coimbra, no ano de 1928.
 Aí residiu e daí partia até onde lhe era possível chegar  às  aldeias dos concelhos de Vapaços, Chaves, Vinhais e Mirandela exercendo a sua actividade como médico. "Chamavam-lhe "João Semana", figura lendária que Júlio Dinis imortalizou nas Pupilas do Senhor Reitor, pela vocação quase sacerdotal que assumiu, sempre a atender quem o procurava, ricos e pobres, perto ou  longe, de dia ou de noite."*







  Algumas imagens de Vilartão.  



















Casa do Dr. Armando.


Entrada para o consultório


Porta do consultório

    Bibliografia:
    Ferreira, Maria Aline, DR. Armando Morais Soares. O último João Semana, Coimbra, Gráfica de Coimbra 2, 2.º edição,2008.